Overtraining e dor crônica

Na busca pelo corpo perfeito ou pela performance espetacular, muitos atletas amadores ou mesmo profissionais chegam à exaustão osteomuscular ou à sobrecarga cardiovascular, o chamado Overtraining. Nesta situação o atleta experimenta fadiga crônica, indisposição para o exercício, perda de apetite, irritabilidade,estresse físico e mental, pressão alta, distúrbio de sono, baixa imunidade, lesões repetidas, dentre outros sintomas.
Muitas dessas lesões, em princípio, causam dor discreta sem impacto imediato na prática do exercício, já que refletem uma pequena lesão tecidual passível de cura apenas com repouso adequado. No entanto, o que nos chama atenção no consultório é que na falta de cuidados pertinentes, a dor, que de início era um problema sem maiores repercussões, agora se apresenta com intensidade incapacitante e com duração prolongada.
Ou seja, a dor que dura mais de três a seis meses é definida como dor crônica, e, assim sendo, além de lidarmos com uma lesão maior, temos que abordar o fator perpetuante, que é a própria dor. Isto porque um estímulo doloroso prolongado é capaz de criar uma “memória de dor” ou sensibilização espinhal. Procedimentos terapêuticos, como a terapia de Ondas de Choque e bloqueios seriados são exemplos do que pode ser feito em caso de dor crônica pelo Overtraining. Mas tratando-se de dor o melhor é não tê-la. Assim nada mais justo do que respeitarmos nosso próprio limite, através do descanso apropriado entre cada treino e a alimentação sempre balanceada.

CARLOS MANDELIK
ORTOPEDISTA E FISIATRA






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